Sexta-feira, recesso escolar em razão do feriado do dia 15 de novembro, compromisso às 15:00hs (casamento no Cartório Civil do casal de amigos Bárbara e Luiz que eu fui como testemunha), correria.
Após banhos tomados, começa a maratona:
12:00hs - Separar minha roupa; separar roupa da Luíza; passar toda a roupa; separar os sapatos, limpar sapato da Luíza (que parece que foi pra guerra). OK, vestimenta preparada.
12:20 hs - Ajudar a Luíza a vestir sua roupa; a colocar seus sapatos; arrumar seu cabelo; faz rabo de cavalo; não quer rabo de cavalo, mas trança; faz trança, não quer trança, quer duas tranças que se encontram igual cabelo de princesa; faz cabelo de princesa. Ok, Luíza pronta.
14:20 Agora minha vez de me arrumar: chapinha no cabelo; filtro solar; maquiagem; Luíza quer se maquiar também; passo um gloss nela e pronto. Voltando a mim: vestir-me; colocar os sapatos; escolher e colocar os brincos; passar perfume; Luíza também quer perfume e coloca um pouco. Ufa! Estamos prontas.
Verificar bolsa: identidade, carteira de motorista, documento do carro, óculos de sol, chave de casa. Tudo certo.
14:40 – A caminho do casamento, explicando diversas vezes para a Luíza que não haverá festa de casamento, mas que eu, Tia Bárbara, Tio Luiz e outras pessoas iremos apenas assinar alguns papéis na frente do juiz. Luíza nervosa e insistindo que casamento tem festa e vestido de “novia”. Eu, arrependida de ter mencionado a palavra “casamento” e nervosa, já prevendo um estresse a ser causado pela ausência da festa e do vestido de noiva.
Trânsito não está tão tranqüilo para um dia de feriado prolongado, mas acho que vamos chegar a tempo.
De repente, olho para Luíza pelo espelho retrovisor.
- Luízaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!
Neste momento, o trânsito parou, as pessoas ficaram imóveis, os passarinhos pararam de cantar, as galinhas pararam de cacarejar, os sapos pararam de coaxar, a Terra parou de girar ... enfim, tudo ficou estático e apenas meu grito ecoava pelos ares.
Parei o carro, tirei o cinto e me virei para olhá-la sentada em sua cadeirinha no banco de trás.
- O que você fez??????
Lá estava ela, negando qualquer crime, mas o delito estava ali, literalmente estampado em sua cara.
No meio da correria, não sei como, não sei exatamente quando e, pior, não sei com o quê, Luíza raspou suas sobrancelhas, deixando uma falha enorme em cada uma delas.
Filhota, com as mãos escondendo as sobrancelhas, negou por diversas vezes a prática do ato ilícito.
Levou sermão meu. Levou sermão do papai. Continuou negando.
Um dia após, enquanto estávamos saindo para jantar, reconheceu:
- Papai, se eu contar que eu cortei minhas sobrancelhas, você promete que não vai brigar comigo?
- O quê?
- Se eu contar que eu cortei minhas sobrancelhas você e a mamãe, vocês dois, prometem não brigar comigo?
Eu e Marcelo nos olhamos e respondemos:
- Tá bom.
Então ela confessou novamente, num tom quase inaudível:
- Eu cortei mesmo minhas sobrancelhas.
E assim, após o reconhecimento, prometeu nunca mais fazer isto.
Pelo menos as sobrancelhas estão a salvo de futuras peripécias. É o que eu espero. Amém!
Tem-se falado muito da importância dos pais em promover a auto-estima dos filhos. Existem vários livros e artigos especializados sobre o assunto. Psicólogos ressaltam a necessidade da auto-estima para o desenvolvimento saudável da criança, esclarecem formas de aumentar a auto-estima e como isso afeta sua vida. Enfim, tornou-se imperativo os pais se preocuparem com esta questão.
Mas e agora eu pergunto: E a auto-estima das mães?! Ninguém se preocupa não?!
Final de semana passado, após a ingestão de várias guloseimas, me abri com a filhota, na esperança de receber um apoio:
- Nossa! Comi muito neste final de semana! Deve ter engordado.
E filhota olhando para minha barriga:
- Pois é! Engordou mais ainda né? – com ênfase na palavra “mais”

Outro episódio:
- Mamãe, quando eu estou na escolinha, você pensa em mim?
- Claro, eu sempre penso
- Eu não. Eu fico brincando, aprendendo, ué! Como que eu vou lembrar de você?

Como fica a estima da mamãe aqui? Se alguém encontrá-la, me avise!