Fomos para a praia, como fizemos todos os dias em Guaratuba, na casa da vovó Lígia.
A Luíza, curtindo muito.
Chegamos à praia, e a Luíza, como sempre, já quis ir direto para o mar.
Para agüentar o pique da baixinha, primeiro, a vovó Lígia brincava com ela no mar, depois o papai, depois a mamãe, e assim fazíamos revezamento de Luíza.
Sempre ficávamos todos esgotados, menos a Luíza, que permanecia firme e forte, pronta pra outra diversão.
Haja energia!
Enquanto brincava com ela no mar, expliquei que deveríamos fazer sete pedidos, enquanto pulávamos sete ondas.
E então, veio a primeira onda e, a Luíza pulando, gritou seu pedido:
- Sorvete!
E a segunda onda:
- Chocolate!
E a terceira onda:
- Hello Kitty!
E, nas ondas seguintes, ela repetia esses três pedidos.
Portanto, esse ano vai ser cheio de sorvete, chocolate e Hello Kitty para nós.
Muito sorvete, chocolate e Hello Kitty pra todo mundo também.
Passamos o reveillon em Guaratuba, na casa da vovó Lígia.
A Luíza se divertiu muito na praia. Não queria sair do mar de jeito nenhum e, quando chegava em casa, ia direto para a piscina na casa do vizinho. E assim, passava quase o dia todo dentro da água.
Na noite de reveillon, como é costume, fizemos a contagem regressiva:
- Dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois, um! Feliz Ano Novo!
A Luíza abraçou a todos, mas permaneceu calada e pensativa.
Como estava chovendo muito, fomos num canto da casa para poder olhar os fogos que estouravam lá na beira mar.
Então, a Luíza, no colo do papai, perguntou para ele:
- Ele tá lá no buraco?
- Quem? Perguntou o papai.
- O Ano Novo.
- Não, ele não está lá não. Respondeu o Marcelo dando risadas.
- Ele morreu?
Enfim, a Luíza estava intrigada porque o tal do Ano Novo não chegava de uma vez.
Aí a titia Bianca, tentou lhe explicar:
- Nós estamos dentro dele agora, Luíza.
Olhando ao seu redor e surpresa, a Luíza perguntou:
- Dentro dele?
Também fui tentar explicar, de uma forma que talvez ela pudesse entender:
- É assim, Luíza, quando tem vários dias e noites, dia, noite, dia noite. Aí, quando tem vários dias, forma um ano. Depois, a gente passa para outro ano ...
E a Luíza, me interrompendo, nem mais querendo ouvir a explicação, foi logo ao ponto que lhe interessa:
- E eu vou ganhar presente?
Deve ser por isso que o Ano Novo é uma data quase não lembrada quando crescemos, pois o Ano Novo não é ninguém, e, ainda por cima, não ganhamos presentes. Realmente sem graça!
Mas agora, um mês após o Ano Novo, a Luíza adora fazer a contagem regressiva, abraçar o papai e a mamãe e desejar feliz Ano Novo para a gente.
Já fizemos esse ritual de passagem de ano várias vezes, a pedido dela.
Então, vamos lá:
Dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois, um! Feliz Ano Novo!
Eu brincando com o catavento: (Obs: Olha só meu barrigão gostoso!)
Olha só como eu fico feliz na praia: