A Luíza, com uma folha na mão, veio me mostrar seu desenho:
- Olha mamãe, o que eu sabe.
Quando eu olhei para o desenho, fiquei surpresa ao ver escrita a letra “A”.
- Que legal, Luíza, você fez um A! Você sabe escrever a letra A!
E, toda orgulhosa, ela mostrou o desenho para o papai, que também a parabenizou.
Logo em seguida, ela escreveu outros “As”, e as letras “X” e “O”.
Após muitas comemorações, a Luíza ficou atenta olhando para as letras que havia escrito e não resistiu:
- Acho que vou fazer uns olhinhos neste “A”.
Em um minuto, o “A” estava com olhos, nariz, boca, braços, pernas, mãos e pés.
O “O” também se transformou rapidamente numa menininha, segundo ela.
Só o “X” continuou sendo “X”, pois, de acordo com a Luíza, o “X” não tem rosto.
Coitadinho do “X”!
Todos nós sabemos que exemplo é tudo na vida de uma criança.
Tantos os bons como os maus exemplos.
Por isso, nós, pais, temos que ficar nos policiando o tempo todo.
E hoje a Luíza me deu mais uma prova disso.
Mas, no caso, felizmente, foi um bom exemplo.
Pela manhã, ela pegou um livrinho, “O bichinho que queria crescer”, do Ziraldo, sentou-se na privada e, entre um gemido e outro, “lia”:
- Hã. Hum! Ei, você me conhece? Hã! Hum! Eu sou o bichinho da maçã. Hã! Hum! ...
E assim foi lendo, sentadinha na privada, enquanto fazia suas necessidades. O engraçado é que ela sabe de cor a estorinha.
Tão bonitinho!
Espero que ela continue assim.
E, quanto a mim, tornou-se obrigatório levar livros para o banheiro, nem que seja apenas para dar o exemplo.