A Luíza tem dermatite atópica, mas conhecida como alergia na pele que, no caso dela, infelizmente, consiste em herança materna.
Confesso que acho até bonitinho nós duas coçando o braço direito, no mesmo local, igualzinho, não restando dúvidas que ela é realmente minha filha (sentimento possessivo de mãe biológica).
Porém, mesmo achando bonitinho ver a Luíza coçando seu bracinho direito igualzinho a mim, com certeza, eu abriria mão dessa cena familiar.
Após mudarmos para Belo Horizonte, fiquei feliz ao perceber que a pele da Luíza melhorou muito.
Mas, agora no inverno, por estar um tempo mais seco, voltou a piorar um pouquinho.
Tem uma mania das pessoas que me intriga, que é a seguinte: Dizer “Aproveite seu filho enquanto é pequeno, pois passa muito rápido”.
Agora eu pergunto: Passa rápido pra quem? Só se for pra quem não convive com a criança.
A Luíza tem apenas 3 anos, mas parece que eu já convivo com ela há pelo menos uns 20.
Aliás, nem me lembro da época que ela ainda não era nascida. Acho até que isso foi em outra reencarnação.
Com filhos, os dias ficam extremamente longos, quase intermináveis.
Além disso, são diversas batalhas e, principalmente, conquistas diárias.
Primeiro, a preocupação com o leite materno, após, a papinha ainda rala, depois mais grossa até chegar à mesma comida dos adultos;
O primeiro dentinho; o cabelinho crescendo; o acompanhamento para ver quantas gramas a criança engordou e quantos centímetros cresceu;
Aprender a sentar; engatinhar; ficar em pé (ou, ficar “no pé”, como diz a Luíza), andar com apoio; andar sozinha;
A tão aguardada pronúncia do “papai” e “mamãe” (que eu nunca soube quando foi, pois é difícil identificar quando o “papa” quer dizer “papai” e não “papá”, e que “mama” quer dizer “mamãe” e não “mamá”);
Aprender a falar; cantar; reconhecer as partes do corpo; comer sozinha;
Largar a mamadeira, tirar a fralda; tirar a chupeta;
Aprender a apontar, dar tchau, mandar beijinhos;
Aprender a dizer seu nome, sobrenome, idade, falar ao telefone;
Ir para a escolinha; aprender a se despir e a se vestir sozinha; alcançar a maçaneta da porta; reconhecer as cores; conseguir desenhar pessoas;
Aprender a montar quebra-cabeça, a brincar de pescaria, a jogar o jogo da memória (que a Luíza sempre ganha da mamãe e do papai);
Aprender a ligar e desligar a TV, o DVD e o som; aprender a mexer com o mouse; ...
E tudo isso, em apenas três anos!
Cada dia é uma novidade. Os dias são realmente vividos.
A última conquista da Luíza é pular num pé só.
Vocês não imaginam a concentração, coordenação motora, força e equilíbrio necessários para imitar o saci.
Agora que a Luíza aprendeu, ela me diz:
- Mamãe, olha procê vê. (Expressão mineira)
E pula toda feliz.
Antes, ela conseguia dar apenas dois pulinhos num pé só. Agora ela já está conseguindo dar uns 4 saltos.
Cada dia observamos o desenvolvimento da Luíza na realização desta atividade tão complexa.
Daqui alguns dias, a Luíza poderá brincar de amarelinha (ou “amarelim” como dizem por aqui em BH), coisa que, há alguns meses atrás, seria impossível.
Por essas e outras conquistas é que, quando olho as fotos da Luíza, me dá a impressão de que tudo foi há muito tempo.
E ainda dizem que o tempo passa rápido ...