A Luíza possui várias estratégias para se livrar das broncas.
Primeiro, ela tenta me cativar, dizendo que eu sou linda, fazendo carinho, passando a mão no meu rosto.
Teve uma vez que ela quis até dar comida na minha boca.
Isso foi quando eu não descobria o que a Luíza tinha feito de errado, e ela, toda carinhosa, segurando meu garfo:
- A mim ajuda você. A mim dá na boca la tua.
Eu tinha certeza que alguma ela tinha aprontado, mas não conseguia descobrir o que era.
Até que, ao sair de casa, encontrei na garagem a caixa de giz de cera e os lápis que a Luíza tinha jogado pela janela.
Mas, quando essa tática de me cativar não funciona, ela parte para a segunda estratégia que é me olhar com uma cara de desentendida e dizer “U qué?”
E, finalmente, quando o “U qué?” também não funciona, ela parte para o plano 3, que é tentar mudar de assunto.
Um exemplo:
- Luíza, você pintou mais uma vez a TV?
- Mamãe, você é liiiiinda.
- Pintar é só no papel.
Eu sempre falo essa frase: “Pintar é só no papel”, pois assim economizo em dizer “Não pode pintar a TV”, Não pode pintar a parede”, “Não pode pintar a roupa”, “Não pode pintar a testa”, ...
E a Luíza, passando a mão no meu rosto, insiste:
- Mamãe, você é liiiiinda.
- Eu estou falando da TV!
- U qué?
- Luíza, você sabe que pintar é só no papel e que não pode pintar a TV.
- Não sou Luíza, sou Luíza Ken.
- Luíza Klein, não pinte mais a TV.
- Não sou Luíza Ken, eu sou a linda pincesa.
- Então, linda princesa, não pinte mais a TV!
- Não sou linda pincesa, eu sou neném.
- Luíza, você escutou o que eu falei? Que não é mais pra pintar a TV?
- Não sou neném, eu sou a banca di neve.
Além de muita paciência, o difícil é manter a seriedade ao dar a bronca.
E ainda têm mães que acham que os filhos não entendem as coisas!
Durante todo o mês de junho, a Luíza ensaiou na escolinha a musiquinha do Alecrim (Alecrim, alecrim dourado, que nasceu no campo, sem ser semeado, ...) para se apresentar na festa junina.
Porém, na festa, ela se recusou a cantar. Preferiu ficar sentada no colo da vovó Lígia.
Mas hoje, ela tirou o atraso no supermercado.
Enquanto eu fazia as compras, a Luíza, sentada no carrinho, não parava de cantar na maior empolgação:
- O meu amÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓ. Num fique tiste assim. É a flô du campu. É la alequim. O meu amÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓ...