Estorinhas "infantis" (Continuação)

Continuando ...

Outra estória horripilante é Chapeuzinho Vermelho.

Nem Alfred Hitchcock conseguiu criar um suspense tão grande em seus filmes quanto à famosa cena de Chapeuzinho e o lobo, vestido de vovózinha:

- Pra que esse nariz tão grande, vovózinha?

- É pra te cheirar melhor, minha netinha.

- E pra que esses olhos tão grandes, vovózinha?

- É pra te enxergar melhor, minha netinha.

- E pra que esses ouvidos tão grandes, vovózinha?

- É pra te ouvir melhor, minha netinha.

- E pra que essa boca tão grande, vovózinha?

- É pra te comer!

A Luíza dá pulos quando ouve essa parte. O coraçãozinho dela dispara.

E a estorinha do Patinho Feio, então. Todos debochavam dele, o maltratavam, o isolavam, só por ele ser feinho, chegando ao ponto dele fugir de casa. Puro preconceito!

Tão aterrorizante quanto as estorinhas infantis são as cantigas de ninar.

“Boi, boi boi, boi da cara preta, pega essa criança que tem medo de careta” e “Nana nenê que a Cuca vem pegar...” E lembre-se que isso é utilizado para a criança dormir!

Bom, o fato é que nunca vi nenhuma criança jogar outra no caldeirão, por influência dos três porquinhos. Ou será que existe?

A Luíza adora essas estorinhas e adora mais ainda os teatrinhos dessas estórias infantis.

Aliás, faz tempo que não a levo ao teatro. Tenho que providenciar isso!



Postado por: Mamãe Taty às 17h08
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Estorinhas "infantis"

Muitas mães não deixam seus filhos assistirem a diversos desenhos animados por acharem violentos demais.

De fato, atualmente, têm muitos desenhos que só apresentam luta e pancadaria. Estes desenhos são, geralmente, adorados pelos meninos.

Por outro lado, existe algo mais violento que as estorinhas infantis clássicas?

João e Maria, por exemplo. Nunca vi nada mais apavorante.

Primeiro, que os pais do João e da Maria querem se livrar deles para não precisar mais alimentá-los. Assim, os abandonam na floresta. Que horror!

Depois, João e Maria acham a casa de uma bruxa que prende João, enquanto Maria fica escondida. Suspense puro.

E o pior: Enquanto João está preso e Maria escondida, a bruxa, todos os dias, analisa se o dedo do João está gordinho para ela poder comê-lo. Nossa, nem mesmo no filme O Canibal tem cenas tão chocantes quanto essa!

E, por fim, Maria consegue livrar João e os dois irmãos jogam a bruxa no caldeirão, a matando queimada.

Outra estorinha que se utiliza deste mesmo método de matança é “Os três porquinhos”.

Os três porquinhos colocam um caldeirão logo abaixo da chaminé, fazendo com que o lobo, ao descer pela chaminé, caia diretamente no caldeirão com água fervente.

Cena igual a estas eu só vi no filme Carandiru, no qual um preso mata um amigo com água fervente.

Outro dia fui ler para a Luíza a estorinha “Rapunzel”, cujo início já é assombroso, pois o Pai da Rapunzel, para satisfazer o desejo de sua esposa grávida, furta as maçãs do quintal da bruxa. Sendo pego em flagrante pela bruxa, o pai da Rapunzel faz um pacto com a mesma, no qual ele fica liberado em levar as maçãs para sua esposa, e, em contrapartida, promete entregar sua filha que está para nascer à bruxa. E assim o faz.

Um pai trocar uma filha por umas maçãs e levar para a bruxa a filha que acaba de nascer enquanto a mãe está dormindo! Isso é pior que o caso Pedrinho!

O resto da estorinha também é seguido por violências: a Rapunzel passa anos presa numa torre; se apaixona por um príncipe, que sobe pelas longas tranças de Rapunzel para visitá-la; após, são descobertos pela bruxa, que corta o cabelo de Rapunzel, finge ser esta e joga o príncipe nos espinhos, o deixando cego, e por aí vai ...

Branca de Neve não fica pra trás. Eis um pouco dessa estória: A madrasta morre de ciúmes de Branca de Neve, a explora, a deixa passar fome, entre outras maldades. Depois, a madrasta pede para um caçador matar Branca de Neve e lhe trazer o coração. Sabendo que Branca de Neve continua viva, a madrasta a envenena com uma maçã. Isso é ou não é violento?

... Continua ...



Postado por: Mamãe Taty às 17h05
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Incompreensível

Vou buscar a Luíza na escolinha e, no carro, enquanto eu dirijo, ela diz:

- Fiz leguinha.

- Fez o quê?

- Fiz leguinha

- O que é leguinha?

- Num né leguinha, é leguinha.

- Coleguinha?

- Num né queleguinha, é leguinha.

- Laguinho?

- Não! Leguinha!

Percebendo que a Luíza já está nervosa, tento mudar de assunto:

- E daí, brincou no balanço?

- Num né balanço!

Tento outro assunto, e sabendo que ela está ensaiando quadrilha na escolinha, pergunto:

- Dançou São João?

- Num sô João!

Percebendo seu mal humor de sono, não pergunto mais nada.

Dois minutos depois, olho pelo retrovisor e a Luíza já está com o pescoço virado pro lado, dormindo.

E eu, continuo dirigindo com a dúvida: O que será que é “leguinha”?



Postado por: Mamãe Taty às 15h43
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Mamãe, conta estoinha do Patito

Agora que a Luíza deixou a pepê, ela está com a mania de querer dormir ouvindo estorinhas.

Então, eu passei a contar estorinhas toda noite para ela. Estorinhas que eu mesma invento.

O problema é que eu esqueço o nome dos personagens que eu invento, o que causa nervosismo na Luíza, pois ela diz “num é esse nome, num é esse nome”.

Pois é, ser mãe é isso mesmo, além da inflação, alta dos juros e do dólar, poluição, preço da gasolina, existem preocupações maiores que nos afligem como, por exemplo, lembrar se o nome do urso da estorinha é Zezé ou Lelé.

Para por fim a este problema, eu passei a nomear os personagens das estorinhas da seguinte forma: o urso é Ursito, o macaco é Macaquito, o sapo é Sapito e assim por diante.

Entretanto, esta tática para facilitar os nomes dos personagens faz com que não seja possível incluir muitos bichos da mesma espécie.

Mas, diante do contexto em que vivemos, o qual favorece a diversidade e mistura de raças, credos, religiões, etc., sem qualquer preconceito, penso ser politicamente correto fazer essa miscelânea zoológica, incluindo diversos tipos de bichos nas estorinhas.

Os personagens preferidos da Luíza é o patinho Patito e seu amigo Coelhito. E, logo que deitamos na cama, ela começa a dizer: “Mamãe, conta estoinha do Patito”.

Assim, visando algum efeito pedagógico, e também, confesso, em razão da falta de criatividade, eu começo a contar estorinhas contendo situações vividas pela Luíza.

Como ultimamente a Luíza tem feito muita birra pra se vestir, eu invento que o Patito tinha que ir pra escolinha dele e não queria se vestir, e que sua mãe, a Dona Pata, ficava muito triste ...

Ocorre que a Luíza, certamente se identificando com o Patito, diz: “Não vai vestir não”, “A Pata não fica tiste”

E assim, discutimos. A Luíza defendendo as vontades do Patito, e eu tomando as dores da Dona Pata.

Sou vencida pelo cansaço e durmo.

E a Luíza, persistente como toda criança, me cutuca: “Mamãe, conta estoinha do Patito”



Postado por: Mamãe Taty às 15h28
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O primeiro dodói

Sábado, dia 11 de junho, fomos a uma festa junina. A Luíza caiu de boca na cama elástica e cortou a gengiva e os lábios.

Mesmo sangrando, ela gritava "qué pula-pula, qué pula-pula".

Não sabíamos se ela chorava de dor, ou por querer continuar na cama elástica, ou ainda, de manha mesmo, pois ela passou o dia manhosa (ainda reflexos da crise de abstinência por não estar mais com a pepê). Na verdade, acho que era por tudo ao mesmo tempo.

Este foi seu primeiro dodói.



Postado por: Mamãe Taty às 16h51
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Operação "jogar a pepê" - O duelo final

Desde  a retirada da pepê, a Luíza anda super manhosa. E, embora algumas vezes tenha pedido a pepê, logo esquecia e estava agüentando firme ficar sem chupeta. Mas ontem, ela não parava de pedir: “Quero a pepêêêêê, quero a pepêêêêê ...”

Então tive que usar minha última tática para ela esquecer de vez a pepê. Tinha guardado uma carta na manga, e tive que utilizá-la. Era o último recurso e não podia falhar.

Fiz o seguinte: entrei nesses sites de odontologia, nos quais aparecem o “antes e depois” da utilização de aparelhos dentários e mostrei pra Luíza. Disse a ela que era assim que os dentes ficavam quando usavam a chupeta por muito tempo; que todas aquelas pessoas não tinham dado a pepê pro ratinho e que, por isso, estavam com os dentes daquele jeito.

Na verdade, os dentes nas fotos nem estavam tão feios, mas como aparece a boca bem de perto, com a gengiva, fica uma coisa horrorosa.

A cada foto, a Luíza chorava desesperadamente e dizia que não queria mais a pepê.

No decorrer do dia, quando a Luíza pedia a pepê, eu logo perguntava se ela queria ficar com os dentes feios, como os que ela tinha visto. Ouvindo isso, mais que depressa, ela mudava de idéia e dizia que o ratinho tinha levado a pepê embora e que os dentes dela estavam bonitos.

Porém, a manha continuou.

Além disso, a Luíza esta com um pouquinho de constipação intestinal e sei que isso é psicológico.

É, a dependência da pepê é forte mesmo e, como toda dependência, envolve toda a família, pois eu e o Marcelo estamos nos segurando para não dar a pepê. Temos que ser fortes.

Tenho muitas amigas na internet que sofrem com o tal de “cheirinho”. Eu acho que o “cheirinho” é uma “droga” mais forte ainda, pois causa maior dependência e é muito mais difícil de tirar.

Deveria existir um grupo de ajuda, desses tipo AA.

Já imagino eu lá falando “Faz 4 dias que minha filha está sem pepê”, e outra mãe dizendo “Mais um dia sem o cheirinho”.



Postado por: Mamãe Taty às 17h02
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