Filha, ontem, dia 28 de maio de 2009, caiu seu primeiro dente de leite.
Lembra como você estava ansiosa para que esse dia chegasse? A maioria dos amiguinhos já estava exibindo suas janelinhas. Você também queria ter a sua. Mamãe dizia pra você ter calma, esperar.
Os dentes de leite ficam por tão poucos anos em nossa boca. A gente sempre soube que eles cairiam um dia. Mas, pra quê apressar?
Sabe, filha, você nasceu banguelinha e assim passou o seu primeiro aninho. Em seu primeiro sorriso e nas suas primeiras papinhas, nenhum dentinho fez parte. E era lindo! Sua boquinha estava incólume, intacta. Você foi crescendo e os dentinhos foram despontando. Um aqui, outro ali. Doía. Você chorava. Mamãe e papai também ficavam chateados com a sua dor. Não sabíamos direito o que fazer. Preferíamos que a dor fosse em nós. Mas não era. E a vida tinha que seguir adiante. Os dentes de leite iriam nascer. Era fato.
E os dente de leite nasceram. Nasceram fortes e lindos. Nunca tiveram cárie. Os caninos, os incisivos, os molares, todos prontos para uma boa mastigação. Achava lindo seu sorriso banguelinha e acho ainda mais lindo seu sorriso com os seus dentinhos de leite.
E agora, esses dentinhos que fizeram parte da sua vida, provaram tantas comidas novas, participaram de tantas brincadeiras, aprenderam a ler, deram gargalhadas, sofreram e até sangraram (lembra-se do dia que estávamos prestes a embarcar num avião e você caiu e cortou a gengiva? Passou a viagem chupando picolé de limão, que foi a única idéia que mamãe teve pra resolver o problema .... rsrsrsrsrsrsrsrs... ) agora vão embora.
Há alguns dias percebemos que um deles estava amolecendo.
Você ficou muito feliz. Enfim, iria conseguir sua tão almejada janelinha.
E ontem, antes de eu te deixar na escola, a gente observou como um dos dentinhos estava muito mole, não é?
Eu te beijei, te desejei boa aula e você passou o portão.
Quando fui buscá-la, você veio correndo com um pacotinho de presente. Você queria me fazer surpresa. Mas não conseguiu. Você sorriu, eu vi sua janelinha e logo descobri o que estava dentro do pacote.
Nem precisei acabar de abri-lo. Deixei a surpresa pro papai. Essa sim você conseguiu. Papai ficou realmente surpreso com o conteúdo do pacote.
Filha, eu sei que doeu um pouco. Enquanto o dente estava amolecendo, você chorou algumas vezes. Teve um pouco de medo sim. Enquanto você admirava o amolecimento do dentinho, sei que você também pensava: “Não será melhor ficar com meus dentes de leite?” Pelos seus olhos eu percebia que você, por alguns instantes, pensou em voltar atrás. Mas o dente estava ali, mole. Ele iria cair. E caiu.
Dessa vez mamãe e papai não ficaram tão preocupados. Nem pretendemos nos suborrogar em sua dor, pois sabíamos que você era forte para suportá-la.
Também não ficamos chateados do dente ter caído na escola. Estamos aprendendo, aos poucos, a nos tornarmos cada vez menos necessários. É uma grande lição para nós.
Percebi que a queda dos dentes de leite é menos dolorida que o aparecimento deles. Ou talvez é a gente que está se acostumando com o inevitável.
Realmente, mais uma vez não havia alternativa, senão seguir adiante.
Os dentes de leite indo embora...
E os dentes de leite caem para dar espaço aos dentes permanentes.
Na verdade, filha, a gente ainda não pode enxergá-los, mas os dentes permanentes já estão ali, logo atrás dos dentes de leite, sugando todo o cálcio existente nas raízes destes.
Sugando, absorvendo as raízes dos dentes de leite ...
Sugando, absorvendo as raízes ...
Sugando, absorvendo ...
E os dentes de leite vão amolecendo, amolecendo ...
E caem.
E, enfim, despontam os dentes permanentes, que você carregará para o resto de sua vida. Se forem bem cuidados, é claro.
Hoje, ao acordar, você encontrou no lugar do dente caído, deixado embaixo do travesseiro, um bilhete e algumas moedinhas deixadas pela Fada-do-Dente.
No bilhete, assinado pela Fada-do-Dente, diz assim: “Luíza, peguei seu dente. Depois devolvo. Um Beijo!”
Você ficou felicíssima com o bilhete e as moedinhas.
Eu fiquei feliz com sua felicidade e com o fato da Fada-do-Dente dizer que irá devolver seu dentinho, pois pretendo guardá-lo.
Esta é a história da queda do seu primeiro dentinho, minha linda.
Você já está com quase 7 anos e acho que quando caírem outros dentes, você já não acredite mais na Fada-do-Dente, nem mesmo em Papai Noel e no Coelho da Páscoa.
Você já não faz perguntas como “Mamãe, a Lua tem boca?”, “Mamãe, por quê os anjos ficam com um bambolê em cima da cabeça?”, “Mamãe, o futuro é pra frente ou pra trás?”
Você já não vê as letras como bonequinhos, e sabe que juntando uma às outras, formam-se palavras.
Você sabe que uma hora é mais demorado que cinco minutos (embora para muito de nós, brasileiros, seja a mesma coisa).
É filha, os dentes de leite estão amolecendo ...
Cairão todos os dentes de leite e não voltarão mais.
Ah, mas você aproveitou seus dentes de leite. Aproveitou e tem aproveitado os outros que lhe restam.
Eles estão indo embora, junto com as Fadas, o Papai Noel, o Coelho da Páscoa e a ausência de tempo.
Estão chegando os dentes permanentes. Dentes, estes, que estão ficando com as raízes dos dentes de leite. E é com eles que você passará a conviver e ficará o resto da sua vida.
Dizem os dentistas que a substituição precoce dos dentes de leite pelos dentes permanentes pode gerar distúrbios difíceis de serem reparados. A perda prematura dos dentes de leite prejudica a arcada definitiva.
Entende, filha, porque mamãe sempre se preocupou em você aproveitar ao máximo os dentes de leite? Em não se apressar?
Por outro lado, quando o dente de leite demora demais para se desgrudar da gengiva, também pode atrapalhar a erupção do dente permanente, deixando uma arcada com encaixe imperfeito.
Portanto, filha, estou feliz ao ver os dentes de leite caindo agora e dando lugar ao dentes permanentes.
Mamãe vai ter muitas saudades dos seus dentinhos de leite sim.
Mas tenho certeza que seu sorriso com dentes permanentes também será lindo!
Bjs!
- Mamãe, tô com um sentimento tão estranho.
- É filha? O que vc está sentindo?
- Não sei, estou tão estranha.
- Mas o que foi? Aconteceu alguma coisa? Você está triste? O que está acontecendo?
- Não, não estou triste não. Estou bem feliz. Hoje foi um dia bem legal. Mas, não sei ... Eu tô estranha. Estou até com vontade de te obedecer.
É, é um sentimento muuuuito estranho mesmo!
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Hoje é dia mundial pela prevenção da violência doméstica contra crianças e adolescentes. Eu e minhas amigas blogueiras combinamos de fazer uma blogagem coletiva. Cada blog deve falar a respeito desse assunto.
Eu poderia escrever sobre o assunto, explicitando as razões pelas quais eu sou contra qualquer tipo de violência infantil, mesmo as chamadas palmadas, palmadinhas, palmadas educativas (ou seja lá o nome que se dá)
Para tanto, eu me sentiria obrigada a discorrer sobre a Constituição Federal, o Estatuto da Criança e do Adolescente, a Convenção dos Direitos Humanos, Convenção dos Diretos da Criança e a falar a respeito do princípio da dignidade humana (Embora muitas pessoas não se dêem conta: Criança também é um ser humano!).
Desta forma, o texto ficaria muito, muito longo. Gastaria muito tempo. Passaria o Natal, Ano Novo, Carnaval, Páscoa, meu aniversário, ... e eu ainda não teria terminado.
Além disso, esse blog serve para eu narrar as historinhas da filhota, pra conhecer e refletir sobre a maneira maravilhosa da criança pensar, pra tentar compreender um pouquinho desse universo infantil. Um universo fascinante!
Portanto, baseando-se na minha grande inspiradora, na minha fonte de conhecimento, na minha mina de informações, que está acima de qualquer Lei ou Convenção, e mantendo o espírito do blog, aproveito para escrever esta história que ocorreu há alguns dias:
Voltando da escolinha, Luíza questionou:
- Mamãe, maior pode bater em menor?
- Como assim?
- É verdade que maior pode bater em menor?
- Não, ninguém pode bater em ninguém.
- Ufa!
- Por quê?
- É que o João Vitor bateu num outro coleguinha, menor que ele.
- Que horror! Não pode não.
- Ele disse que maior pode bater em menor, porque os pais dele batem nele.
Sobre qualquer assunto, qualquer atitude que tomamos, a questão é a mesma: O que estamos passando para as crianças? Qual a interpretação delas? O que isso poderá influenciar em seu futuro? O que isso pode influir no futuro da sociedade?
Para refletir...
- Mamãe, por quê os anjos ficam com o bambolê parado em cima da cabeça, ao invés de ficarem brincando com ele?
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- Mamãe, o futuro é pra frente ou pra trás?
- É pra frente.
- Mas quem faz o futuro?
- Nós mesmos fazemos nosso futuro, pois tudo que a gente faz acaba tendo uma conseqüência ...
- Então nós mesmos fazemos o futuro pra gente imitar?
- É, mais ou menos isso. O que a gente faz acaba influenciando lá na frente ...
- Mas é verdade que eu sou o futuro?
- É que você é criança. Então as pessoas dizem que as crianças são o futuro.
- Mas então, antes de eu nascer, o futuro ainda não existia, né?
Nessa hora, eu já estava com um nó na cabeça, e ela continuou:
- Então, eu sou o futuro. A Gabriela não é o futuro. Eu tenho 6 anos e a Gabriela só tem 4 aninhos. Eu estou na frente, então eu sou o futuro.
Duas semanas depois:
- Mamãe, é tão estranho isso.
- Estranho o quê?
- Isso de eu só lembrar do passado, eu não consigo lembrar de nada do futuro.
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- Mamãe, quem é que tira foto, o raio ou o trovão?
- Como assim? Não entendi.
- Quando o céu tira foto, na verdade, quem é que tira? O raio ou o trovão?
- Ah, você está falando daquele clarão que faz no céu?
- Dãããr, não é clarão é clarinho, pois é branquinho.
- Hum, aquele clarão, ops, clarinho, é do trovão.
- Ah, ta. Entendi.
Portanto, não se esqueçam de fazer pose quando virem um trovão, ein?
Sexta-feira, recesso escolar em razão do feriado do dia 15 de novembro, compromisso às 15:00hs (casamento no Cartório Civil do casal de amigos Bárbara e Luiz que eu fui como testemunha), correria.
Após banhos tomados, começa a maratona:
12:00hs - Separar minha roupa; separar roupa da Luíza; passar toda a roupa; separar os sapatos, limpar sapato da Luíza (que parece que foi pra guerra). OK, vestimenta preparada.
12:20 hs - Ajudar a Luíza a vestir sua roupa; a colocar seus sapatos; arrumar seu cabelo; faz rabo de cavalo; não quer rabo de cavalo, mas trança; faz trança, não quer trança, quer duas tranças que se encontram igual cabelo de princesa; faz cabelo de princesa. Ok, Luíza pronta.
14:20 Agora minha vez de me arrumar: chapinha no cabelo; filtro solar; maquiagem; Luíza quer se maquiar também; passo um gloss nela e pronto. Voltando a mim: vestir-me; colocar os sapatos; escolher e colocar os brincos; passar perfume; Luíza também quer perfume e coloca um pouco. Ufa! Estamos prontas.
Verificar bolsa: identidade, carteira de motorista, documento do carro, óculos de sol, chave de casa. Tudo certo.
14:40 – A caminho do casamento, explicando diversas vezes para a Luíza que não haverá festa de casamento, mas que eu, Tia Bárbara, Tio Luiz e outras pessoas iremos apenas assinar alguns papéis na frente do juiz. Luíza nervosa e insistindo que casamento tem festa e vestido de “novia”. Eu, arrependida de ter mencionado a palavra “casamento” e nervosa, já prevendo um estresse a ser causado pela ausência da festa e do vestido de noiva.
Trânsito não está tão tranqüilo para um dia de feriado prolongado, mas acho que vamos chegar a tempo.
De repente, olho para Luíza pelo espelho retrovisor.
- Luízaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!
Neste momento, o trânsito parou, as pessoas ficaram imóveis, os passarinhos pararam de cantar, as galinhas pararam de cacarejar, os sapos pararam de coaxar, a Terra parou de girar ... enfim, tudo ficou estático e apenas meu grito ecoava pelos ares.
Parei o carro, tirei o cinto e me virei para olhá-la sentada em sua cadeirinha no banco de trás.
- O que você fez??????
Lá estava ela, negando qualquer crime, mas o delito estava ali, literalmente estampado em sua cara.
No meio da correria, não sei como, não sei exatamente quando e, pior, não sei com o quê, Luíza raspou suas sobrancelhas, deixando uma falha enorme em cada uma delas.
Filhota, com as mãos escondendo as sobrancelhas, negou por diversas vezes a prática do ato ilícito.
Levou sermão meu. Levou sermão do papai. Continuou negando.
Um dia após, enquanto estávamos saindo para jantar, reconheceu:
- Papai, se eu contar que eu cortei minhas sobrancelhas, você promete que não vai brigar comigo?
- O quê?
- Se eu contar que eu cortei minhas sobrancelhas você e a mamãe, vocês dois, prometem não brigar comigo?
Eu e Marcelo nos olhamos e respondemos:
- Tá bom.
Então ela confessou novamente, num tom quase inaudível:
- Eu cortei mesmo minhas sobrancelhas.
E assim, após o reconhecimento, prometeu nunca mais fazer isto.
Pelo menos as sobrancelhas estão a salvo de futuras peripécias. É o que eu espero. Amém!
Tem-se falado muito da importância dos pais em promover a auto-estima dos filhos. Existem vários livros e artigos especializados sobre o assunto. Psicólogos ressaltam a necessidade da auto-estima para o desenvolvimento saudável da criança, esclarecem formas de aumentar a auto-estima e como isso afeta sua vida. Enfim, tornou-se imperativo os pais se preocuparem com esta questão.
Mas e agora eu pergunto: E a auto-estima das mães?! Ninguém se preocupa não?!
Final de semana passado, após a ingestão de várias guloseimas, me abri com a filhota, na esperança de receber um apoio:
- Nossa! Comi muito neste final de semana! Deve ter engordado.
E filhota olhando para minha barriga:
- Pois é! Engordou mais ainda né? – com ênfase na palavra “mais”

Outro episódio:
- Mamãe, quando eu estou na escolinha, você pensa em mim?
- Claro, eu sempre penso
- Eu não. Eu fico brincando, aprendendo, ué! Como que eu vou lembrar de você?

Como fica a estima da mamãe aqui? Se alguém encontrá-la, me avise!
Luíza tem um carinho todo especial pelo vovô e vovós, principalmente por estas.
Aliás, existem duas espécies em extinção que Luíza aprecia: avós e primos.
Quantos aos avós, estão em extinção em razão das pessoas terem filhos cada vez mais tarde, e primos face aos filhos únicos, cada vez mais freqüentes.
Luíza acha tão interessante esta última espécime, chegando ao ponto dela me pedir primos, ao invés de irmãos.
Vamos combinar que a filhota é muito inteligente. Afinal, irmãos pra quê? Pra dividir as coisas, pra dividir a atenção do pai e da mãe? Que mané, irmão o quê! Se é pra ter companheirinhos pra brincar, o bom mesmo são primos. 
Mas acho que Luíza ainda não se tocou que com primos ela terá que dividir a atenção da primeira espécie: as avós, já que por enquanto ela é a única neta de ambos os lados.
Ela gosta tanto das avós, que é comovente o carinho que ela demonstra por ambas.
Minha sogra, a vovó Neide, está passando uns dias aqui
Hoje, a vovó Lígia ligou. Perguntei à Luíza se ela gostaria de falar com a vovó no telefone e ela, na frente da vovó Neide, respondeu toda decidida que não.
Vovó Neide se sentiu o máximo pela preferência da netinha, com a certeza de ter um lugar super especial no seu coraçãozinho e seguiu sua vida feliz.
Logo em seguida, Luíza foi até o quarto e pediu para ligar para a vovó Lígia. Escondeu-se no banheiro da suíte (com portas do banheiro, do quarto e do corredor fechadas) disse ao telefone pra vovó Lígia: “Eu ti ti amo você muito mais que a vovó que está aqui”.
Vovó Lígia se sentiu o máximo pela preferência da netinha, com a certeza de ter um lugar super especial no seu coraçãozinho, e seguiu sua vida feliz.
Um dia eu ainda aprendo a ser diplomata assim!

- Mamãe, eu tô tão feliz.
- Que bom filha! E por quê?
- Porque a vida é tão mágica.
- Como assim, minha linda?
- Ah, porque tem o Natal, que realiza os nossos sonhos.
- É, e qual sonho você quer realizar?
- Não mamãe! Não é esse sonho não!
Eu nem disse qual sonho eu estava imaginando
, mas certamente ela pensou que eu estava me referindo aos sonhos que a gente sonha durante a noite.
E continuou explicando:
- Não é esse tipo de sonho. É aquele outro tipo de sonho. Aquele que a gente tem de “estornar” uma princesa.

Luíza anda numa fase super, não mentirosa, mas, digamos, com justificativas um tanto fantasiosas.
Esses dias, na hora de ir pra escola, ela queria que eu fizesse uma “trança grande”. Eu já havia feito um lindo penteado no cabelo dela. Estava ótimo, mas ela insistiu que queria uma trança diferente.
Então eu expliquei que do jeito que estava era bom, pois ela poderia brincar sossegada sem que o cabelo a atrapalhasse .
Tentando me convencer a mudar o penteado, ela justificou dizendo que do jeito que estava atrapalhava sim, pois “amanhã passada” (esta expressão utilizada pela Filhotinha serve tanto para o futuro como para o passado) o cabelo dela estava preso do jeito que eu havia feito e dois fios de cabelo (exatamente dois fios, nem mais, nem menos) haviam lhe atrapalhado, fazendo com que ela, na escolinha, tropessasse numa pedra que estava antes da escada, fazendo-a cair escada abaixo, sendo que, ao final da escada, havia um buraco no qual ela também caiu.
Nossa, que tragédia, ein?!
Tratei logo de mudar o penteado.
Deus me livre ser responsável por uma tragédia deste porte!



Toda vez que eu e a Luíza vamos ao mercado aqui perto de casa, levamos choques. É isso mesmo! Ela vai sentada ou em pé no carrinho de mercado, eu o empurro e, quando nos encostamos, levamos choques! Sempre acontece isso! Por quê será?
E hoje, após buscar a Luíza na escolinha, lhe disse que íamos ao mercado. Ela logo lembrou:
- Não podemos nos encostar, senão vamos levar um choque.
- É mesmo. A gente sempre leva choque quando vai ao mercado.
- Quando você era filhotinha, você também levava choque da sua mãe, minha vovó?
- Não, eu e minha mãe, sua vovó, não levávamos choques não.
- Por quê?
- Sei lá.
- Sabe sim.
Por quê os filhos nunca estão satisfeitos com a resposta “não sei” e sempre acham que os pais sabem tudo?
Eu, ciente de que ela exigiria uma resposta de verdade, como sempre o faz, e sem a mínima idéia de como explicar porque eu e minha mãe não levávamos choques no supermercado ao contrário do que ocorre comigo e com a Luíza, respondi:
- É porque nós somos especiais.
Tudo bem, tudo bem. Não é uma resposta verdadeira, mas foi a única que me ocorreu.
Então a Luíza veio com um balde de água fria:
- Eu sei que eu sou especial. Mas você, eu não sei. Meu pai disse que você não tem muita experiência.
Esta história me lembrou outra que ocorreu enquanto passamos um tempo em Curitiba.
Luíza disse que não queria ir mais pra sua escola, porque sua professora não era muito científica.
Eu e a vovó ficamos assustadas, pensando se ela entendia o significado do termo “científica”, e, afinal, como ela poderia ser tão exigente com sua própria educação a ponto de não se satisfazer com um ensino que não lhe proporcionasse bases sólidas, com base no conhecimento científico, etc.
Foi então que ela explicou:
- Minha professora não é científica, porque não tem muita “pa ... ciência”




Tempos modernos:
- Mamãe, o endereço da nossa casa onde a gente mora é dábliu, dábliu, dábliu, ponto, com, ponto, com, ponto, br, né?
Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa:
Eu e Luíza na fila do caixa do supermercado. Luíza olha para um policial com um bebê no colo. A criança estava enrolada numa coberta toda rosa, com lacinho rosa na cabeça, bem pequenininha, devia ter poucos meses de vida.
Luíza olha assustada para aquela cena, me cutuca e pergunta baixinho no meu ouvido, apontando para o policial com o bebê:
- Mamãe, o que será que ela fez?
Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa (II):
- Papai, quero fazer cocô.
- Segura aí filha, já estamos chegando em casa.
- Tudo bem, já engoli.
- Já engoliu? Como assim?
- É papai, já engoli por aqui. Responde a Luíza, apontando para o bumbum.
Luíza conversando com a vovó Lígia:
- Quando eu tiver meu filhotinho, não vou deixar ele ver TV não.
- Mas por quê?
- Porque TV não é legal. Não é legal pra criança não. Eu não vou deixar meu filhotinho ficar vendo TV não.
- Ué, mas você assiste TV. O seu papai e sua mamãe deixam você ver TV ás vezes, não é?
- Sim, eu vejo. Mas é que eu sou muito mais esperta.


Professora, médica, nutricionista, animadora, segurança... Depois que nos tornamos mãe, passamos a exercer várias profissões até profissões que não existem. Este final de semana fui comentarista de casamento, pois fomos a um casamento e tive que ir narrando cada ato para a Luíza. Detalhe por detalhe.
É incrível como a Luíza, desde pequenininha, é fascinada por casamentos. Na verdade, não é pelo casamento em si, mas sim pelo vestido de “princesa”. Acredito que este sonho acompanha as meninas ao longo de sua vida. Não, não é casar-se, mas sim, vestir-se de noiva. O noivo é um mero detalhe.
Certa vez, ao tomar conhecimento que eu havia me casado com seu Papai, Luíza ficou nervosa porque não havia ido ao nosso casamento. Expliquei-lhe que havíamos casado, mas que não fizemos uma festa (casamos apenas no civil) e prometi que quando eu e papai fizéssemos uma festa de casamento, ela seria nossa dama de honra. Assim, se acalmou.
Hoje, enquanto eu fazia a janta e aguardava o início do telejornal, Luíza, que estava brincando, começou a prestar atenção na novela, pois tinha um casamento. A noiva disse “não” no altar. Depois, os noivos discutiram, a noiva saiu correndo e entrou num carro que havia outro rapaz.
Luíza, então, questionou:
- Afinal, com que cara ela tá ficando?
Fiquei em estado de choque. Que tipo de pergunta pra uma criança de 5 anos fazer?! E perguntei, já nervosa:
- Como assim?
Luíza insistiu na pergunta:
- Você sabe com que cara ela tá ficando?
Meus pensamentos começaram a borbulhar:
Meu Deus! Ela já sabe o significado de “ficar”?! Mas ela só é uma criança! Tudo bem, vamos ser realistas, se ela fosse uma pré-adolescente de 10/11 anos. Mas 5 anos!? Aí já é demais! Que horror! Minha filha, uma criança adultizada! Como ela pôde fazer um comentário desse?! E ainda, com a maior naturalidade?! Será que estou descuidando da educação dela? Mas eu evito ao máximo que ela veja coisas inadequadas para sua idade! Só visto-a com roupas bem de criança. Não compro sapatos de saltinho. Músicas estilo funk carioca, não entra aqui em casa de jeito nenhum! Nem rebolar, ela rebola! Onde ela aprendeu essas coisas? Será que foi na escolinha? Amanhã mesmo vou ter uma conversa séria com a professora! Aliás, com a diretora também! Estou horrorizada! Ai ai! Falhei! Falhei completamente! Já era! A-C-A-B-O-U ! Sou completamente incompetente como mãe ...
Não recebendo nenhuma resposta minha, pois eu estava aflita com meus pensamentos, indo rasgar meu diploma de MMQP (Mãe Mais Que Perfeita), Filhota mesma respondeu seu questionamento:
- Eu acho que ela tá ficando com cara de triste e braba.
Ahhhhh bommm!! Ufa! Mamãe então se tocou que, ao acabar a novela, houve um close do rosto da noiva e Filhota estava querendo saber “com que cara ela estava ficando” e não “com que cara ela estava ficando”. Deu pra entender?
Então, Mamãe parou, respirou aliviada, renasceu das trevas e voltou a fazer o jantar.
- Mamãe, existe ping-pong?
- Sim, existe.
- Existe mesmo?!
- Sim, é um jogo.
- Um jogo? Como assim, ele joga?
- Ele quem? Ué, tem gente que joga ping-pong.
- Joga o ping-pong?!
- Sim, ping-pong é um jogo. Então, tem gente que joga, ué.
- Ele joga um jogo?
- Ele quem?
- O ping-pong. Que jogo ele joga?
- Ué, ping-pong é um jogo e tem gente que joga.
- Mas que jogo ele joga?
Mamãe e Filhota já nervosas com a conversa e sem se entenderem.
- Peraí, Luíza. Do que você está falando? De qual ping-pong?
- Ué, do macaco ping-pong.
- Ah!! O nome do macaco é King Kong.
- Então, o que eu falei? Ping Pong, ué!
Ainda bem que tudo foi esclarecido a tempo. Caso contrário, no entendimento da filhota, eu estaria afirmando veementemente que existe sim um gorila gigante, e que, ainda por cima, gosta de jogar tênis de mesa.